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Veredas A exposição "Veredas" convida o observador a refletir sobre paisagens em constante transformação, onde o tempo e a matéria se entrelaçam em um ciclo contínuo de construção e dissolução. São paisagens que se reinventam e resistem ao avanço da cidade, reconstruções que evocam o diálogo entre permanência e transformação. Décio Soncini traduz em sua pintura um mundo em permanente mutação, onde o real se desdobra em camadas de memória e percepção, entre a solidez das máquinas e a fluidez do olhar. Como as veredas do Cerrado, que atravessam terrenos áridos e guardam a umidade essencial à vida, suas obras revelam espaços de resistência e passagem no meio da efemeridade urbana. Nietzsche, em sua reflexão sobre o eterno retorno e a transvaloração dos valores, sugere que os caminhos mais férteis são aqueles que se afastam das rotas previsíveis, que desafiam o conformismo e abraçam a fluidez da existência. A obra de Soncini incorpora essa ideia ao construir paisagens que oscilam entre ordem e desconstrução, entre solidez e apagamento. Suas composições nos transportam a um espaço onde a história e o presente se sobrepõem, onde cada fragmento da cidade parece conter múltiplos tempos e significados. Sua arte, no entanto, não se resume a esse embate entre permanência e dissolução – há também um lirismo presente na forma como ele captura a relação entre o tempo e o olhar, entre o visível e o invisível. Lacan estudou o desejo como algo que nunca se fixa, que sempre se desloca, se reconfigura no jogo entre falta e preenchimento. A pintura de Soncini opera nesse mesmo registro: cada imagem sugere uma ausência, um fragmento de memória que se insinua sem se revelar por completo. Há sempre algo que escapa ao olhar, que se esconde no intervalo entre o traço e a cor. Assim, suas telas não apenas representam, mas evocam, sugerem, convidam o espectador a participar do percurso. Mais do que uma investigação sobre forma e estrutura, a pintura de Soncini é um testemunho sensível da vida que se desenrola nos interstícios da cidade. Pequenos gestos do cotidiano, um tecido esquecido sobre a máquina de costura, o reflexo inesperado em uma vidraça, a luz que atravessa um galpão abandonado – tudo isso compõe seu universo visual. Há uma delicadeza oculta no modo como ele constrói suas imagens, um romantismo sutil que se manifesta na forma como o olhar é guiado, muitas vezes, para um detalhe quase imperceptível, um fragmento que resiste ao esquecimento. E é nesse espaço de incerteza e descoberta que cada um encontra sua própria vereda.
Katiana Machado Décio Soncini Currículo artístico Antonio Zago - Revista "Isto É" - abr./1982 Alberto Beutemüller - Revista Visão/abr. de 1982 Enock Sacramento - Exposição - 1985 / Apresentação Olívio Tavares de Araújo - Exposição - 1988 / apresentação Radah Abramo - Revista "Isto É" - março/1989 Walter de Queiroz Guerreiro - Exposição - 1993 / Apresentação Artigo publicado no jornal "A Noticia" em outubro de 2003 Walter Queiroz Guerreiro - Inédito - Maio/2008 Raul Forbes - Apresentação da exposição "Paisagens" - setembro/2011 Lúcia Chaves - "Os infinitos cantos do ateliê" - maio/2014 Walter de Queiroz Guerreiro - "Passagens" - agosto/2014 Enock Sacramento - 4.2 Gonzalez e Soncini - 2019 Walter de Queiroz Guerreiro - Luz e sombras - 2021 Walter de Queiroz Guerreiro - "Um dia um olhar..." - 2024 Sergio Niculitcheff - "Dueto" - com Jacques Jesion - 2025
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